domingo, 10 de abril de 2016

Teatro de vida

Vivemos.
Postamos.
Parece que mais postamos que vivemos...
Pratos de comida pomposos.
Bebida na mão.
Sorriso forçado...
Retratos do evento alegórico que a vida se tornou.
Como já disse, mais parecemos que vivemos...
Representamos todo dia no palco da atenção alheia.
Vivemos para os outros através de postagens que não representam quem somos.
E quando tudo acabar?
Quando estivermos no último suspiro?
Ninguém vai lembrar quem somos e o que fizemos...
... pois nada fizemos, só postamos molduras do pretérito imperfeito na parede das aparências!



sexta-feira, 1 de abril de 2016

Ao longe te vejo

Ao longe te vejo...
Tão distante.
Tão indiferente.
Por que tem de ser assim?
Eu cá, você lá!
Certas coisas na vida ficam implícitas mesmo.
Somente em relances...
Até quando? Não sei...
Dizem que a distância é relativa.
Talvez a proximidade de nossos olhares...
... seja o máximo que consigamos.
Assim está, assim é...
Assim continuará...
Ao longe te vejo.

De perto te desejo!



quinta-feira, 10 de março de 2016

Os maiorais

Rótulos e mais rótulos.
Vivemos numa sociedade elitizada.
Uns são condicionados.
Condicionados a completos idiotas.
O padrão estético é preceito.
Tem gente que vive de aparências.
Tem gente que vive do status.
Vão contra seus ideais em troca de socialização.
Propagam a segregação étnica e cultural.
Coitados!
E quando a beleza acabar?
E quando a barriga murchar?
E os músculos caírem?
E o discurso mudar?
O que vai sobrar?
Pessoas sem futuro.
Pobres de espírito.
Que hoje se subordinam.
São capachos dos que...
... um dia caçoaram!
Enfim, beleza não põe mesa...
... e o importante, não se faz necessário aos olhos!


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Poeminha com amor

Um poeminha com amor!

Enaltece meu dia.

Com você minha linda flor...
... meu sorriso tem mais alegria!

As cores são mais vivas...

Minhas emoções mais festivas!


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Nirvana

Tudo está tão confuso.
Preciso me encaixar e achar meu lugar.
Um lugar que gere felicidade.
Livre da ignorância.
Puro por definição.
Onde não preciso questionar sobre minha existência.
Sobre minha condição!
Onde o corpo é um detalhe posicional.
Onde os sentidos são tão infinitos que se tornam desprezíveis.
Preciso de um lugar onde o “eu” esteja em consonância com o “ser”.
Onde sentir seja sinônimo de transcender!
Enfim, preciso coexistir em desatino.

Talvez aí se esconda a suprema felicidade!



sábado, 30 de janeiro de 2016

O brilho dos olhos

O brilho dos olhos, dos teus olhos...
... ninguém me tira!
Nunca apagarão da parede da minha memória!
O brilho dos meus olhos...
... é fruto do brilho dos teus.
Do amor confiado.
Do tempo esperado.
Das lágrimas choradas.
Dos corações despedaçados.
De uma parafernália de sentimentos.
Brilhei em você, refletido em mim.
Dois brilhos, dois olhos, uma luz, a eternidade!
Como é bom fazer e ser feliz com alguém!
É tão divino.
Tão único.

Tão inexplicável...



quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Ainda faço planos

Ainda faço planos...
Para o que um dia pensei.
Um dia imaginei.
Ainda aguardo o futuro que não virá.
Os planos deixados de lado no jazigo das paixões se esvaem.
Por vezes, numa recaída sutil, os revivo.
Com saudade dos planos que não aconteceram...
... embriago-me na pseudonostalgia!
O maior dos meus planos não era superficial.
Ainda faço planos para...
O amor que não existiu.
A atenção que nunca se deu!
Os filhos que não tivemos.
O envelhecer juntos que não acontecerá!

Como é melancólico!

Saber que duas almas recíprocas nunca se juntaram...




sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O bom julgador

Julgamos quase tudo.
Pensamos que temos propriedade para julgar...
... quando o que fazemos é comparar!
Desmerecemos o outro.
Somos tendenciosos.
Incapazes de não julgar.
Categorizar.
Separar os “bons” dos “ruins”.
Julgamos até o julgamento do outro.
Porém, debaixo de nossas perucas brancas e pomposas...
... se esconde o reflexo do medo do julgamento.
Julgo, mas detesto que façam isso comigo!

Enfim, como já diria o provérbio: o bom julgador julga os outros por si próprio!


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Rasgando pedaços do passado

Por medo, relutei!
Para me fortalecer, desatinei!
Hoje sentei e revirei as caixas do meu passado.
Amontoadas na estante do esquecimento.
Empoeiradas com o olhar pesado.
Relembrando páginas de outrora neste momento
Percebo a história da minha vida.
Cada página rasgada dói na alma.
É um pouco de mim que se vai.
São as asas de um sonho que agora cai.
Os trejeitos de uma época bem resolvida.
Serão lixo? Ou era um antigo e maquilado carma?
Ao revirar as folhas guardadas dos meus 13 anos...
... tive uma agradável surpresa!
Uma carta que deixei para mim...
... e que com o tempo esquecera.
Parecia que estava conversando com aquele menino sereno.
Aquele menino que hoje invejo...
Em pranto, resolvi queimar esse passado...
... que tanto me fez feliz e que ainda me atormenta!
Mas a nostalgia apareceu e com um tapa de luva me acertou.
Então guardei aquelas folhas iminentes ao fim.
Sentei no meu orgulho.
Mergulhei nas facetas de outro eu.
Escrevi uma carta!
Para quem sabe, daqui dez anos, ainda me lembre de que fugir do passado...

... é matar uma parte de mim mesmo!


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Sobre estar maduro

Quando somos jovens, fazemos de tudo para parecermos maduros.
Entretanto, no menor deslize expomos nossa criança interior.
Quando somos maduros, o que mais queremos é voltar a juventude.
Parece tardio, uma vez que as marcas de uma vida pesada já nos condicionaram a viver sem sorrisos.
 E as rugas salientes se confundem com um ar de rabugice.
Sorrir é um ato de dar e receber.
E à medida que ficamos mais velhos, reclamar é mais fácil que sorrir.
Nós não somos assim, somos condicionados a estar assim.
Bem, ser maduro é muito mais que isso...
... tão complicado quanto não ser!
Talvez devêssemos ser maduros sem perder o sorriso...

... e quando ninguém estiver olhando: ser uma criança!



terça-feira, 14 de abril de 2015

A priori

A priori nada é tudo.
E tudo é quase nada.
A priori o início não é necessariamente a origem!
E o final está longe de uma redenção...
A priori o ser humano é possessivo!
E a possessão, egoísta!
A priori, eu sou um chato.
A priori, muitos não querem me entender...
Mas sabemos, a priori, que o "a priori" é condicional!
Capaz de caracterizar.
Dar sentido a incapacidade de obter conceitos verídicos...

A priori, não sei o que virá a posteriori!





quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Óculos escuros

As pessoas estranham.
Quando uso óculos escuros à noite.
As pessoas riem.
Quando uso óculos escuros em meio à tempestade.
Mas ninguém percebe no meu íntimo.
O quão sofro.
O tanto que deveria chorar!
Encontro nas lentes escuras.
Um labirinto para meu marasmo.
Um bloqueio para minha tristeza.
Que não pode transbordar.
E atingir quem amo.
Os óculos escuros me protegem.
Escondo-me dos olhos julgadores.
Dos olhos sofredores.
Sinto-me preparado para olhar.
Fitar os vorazes olhos do acaso.
Contenho minha maldade.
Enalteço minhas fraquezas.
Perco o olho no olho.
Importante para a intensidade das relações.
Mas assim, me sinto um pouco menos estranho.
Nem tanto monstro.

Mais humano!




segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Reencontro

Ainda procuro por um amor que perdi...
... e nunca mais encontrei!
Alguma parte que se perdeu.
Foi embora!
Sem dar o “Adeus” que precisava.
Procuro por uma paixão do futuro...
... que ainda não conheço.
Que um dia me fará feliz!
Procuro encontrar um outro “eu”.
O qual perdi entre tantas incertezas.
E não sei se um dia o encontrarei...
Enquanto não resolvo o que não posso relembrar.
Vou vivendo meu mundo de hastes fracas.
Porém com estrutura estável!
Por enquanto, espero este reencontro.
Que pode ser um olhar.
Que pode desenrolar...
... o mais entrelaçado dos atos que não aconteceram.
Espero por um reencontro com o amor.
O “Amor” como entidade intensa...
... que me dá asas!
Que me faz sorrir!
Que dispensa ressurreições!

E me faz levitar quando fecho os olhos!




sábado, 28 de junho de 2014

Como-somos e cromossomos

Somos assim.
Tão complexos e tão simples.
Tão humanos e tão metálicos!
Sou infinito.
Sou zero...
Como-somos!
Temos fome.
Temos sono!
Instáveis emocionalmente.
Limitados!
Cromossomos!
Fome de humanidade...
Limitados na complexidade.
Zeros metálicos.
Infinitos nas emoções!
Simples nas instabilidades!
Tão ele, tão você, tão eu...

Como-somos e cromossomos!



sexta-feira, 27 de junho de 2014

Lambendo o mofo das gravatas

Burocracia!
Troca de favores!
Ficar rasgando seda!
Normas, leis, estatutos, ofícios, controle!
Não tenho estômago para isso.
Não quero agradar os outros, nem a mim mesmo.
Quero apenas ser digno.
Magnatas do poder rodeados de bajuladores não é minha praia.
Escravos técnicos do sistema!
Tudo pode ser tão simples, tão harmônico, tão democrático.
Desacredito seriamente neste jogo de manipulações que não chega a lugar algum.
Não lambo o mofo das gravatas destes juízes sem escrúpulos, destes políticos corruptos, destes doutores sem educação, destes jornalistas sem alma.
Sou um desalinhado e ninguém vai me tirar o direito de escolha.
Podem me cortar os braços, mas nunca vão cortar meus pensamentos.
E você?

Vai continuar com a língua neste mofo todo?