sábado, 24 de setembro de 2016

O que guardo dentro de mim

Guardo dentro de mim...
tudo aquilo que me pertence.
Tudo o que sou.
O que está dentro de mim me define e me configura.

Guardo todos os segredos incontáveis.
As felicidades memoráveis.
E as dores que me carregam.
Por vezes, prefiro ignorar as preocupações,
mas elas sempre voltam e me atormentam enquanto tento dormir.
Elas me corroem e revisitam cada veia do meu corpo.

O que fiz e o que não fiz.
O que amei e o que odiei.
As mentiras necessárias
e as verdades mentirosas.
Afinal, uma mentira não contada
acaba se tornando uma verdade velada!
Tudo isso paira em meu pensamento
e não deixa eu esquecer quem sou.

O que guardo dentro de mim.
É o que verdadeiramente me define.
E que só eu sei.
Aos outros, resta as conjecturas de quem sou.
Sobra o que transparece dessa minha tentativa banal
de mostrar quem eu (não) sou...





sexta-feira, 19 de agosto de 2016

A hora certa

Da hora certa, não sei...
Do que sinto, redundei...
Na hora que deveria, cansei...
Do que passou, chorei...
De lutar, cansei.
Desisti!
Fiz-me em pedaços...
Do que lembro, pouco prezo...
Do que sofri, muito me atormenta...
Do que vivemos, pouco se salva...
... visto que foi ilusório!
Do que imaginei, muito ainda necessito!
Para você, muito tempo dediquei...
... pouco colhi!
Talvez, a hora certa passou!
Talvez, você precise de tempo!
Tempo pra perceber...
... que um dia serei a melhor escolha!



sexta-feira, 29 de julho de 2016

Gente simples

Admiro muito gente simples.
Pessoas in natura.
Gente calorosa, que luta pelo que tem e por quem ama.
Gente que sofre, mas não desanima.
Gente que cumprimenta antes de olhar.
E abre um belo sorriso mesmo faltando alguns dentes.
Gente que estende a mão apesar dos calos.
Gente que fala errado, mas fala com o coração.
E abraça com fervor.
Gente que abre a casa e nos faz sentir da família.
Gente que te chama na rua e fica horas conversando.
Que te chama para o almoço de domingo ou quem vem almoçar contigo.
Gente que come o frango com a mão.
Gente que partilha o que tem, mesmo que seja pouco.
Gente que sai cedo para ganhar o pão de cada dia.
E que volta tarde do trabalho com a certeza de sua honestidade.
Gente humilde.
Que se orgulha do filho na faculdade.
Gente que ouve e quer ser ouvido.
Gente que gosta de estar no meio da gente.
Enfim, gosto de gente na forma mais simples da palavra.
Gente que gosta de gente e da gente!









domingo, 24 de julho de 2016

Tenho medo

Tenho medo deste mundo doente.
Das opiniões fantasiosas.
Da maioria crente.
Tenho medo das línguas preconceituosas.

Repudio o pensamento fechado.
Os olhares que condenam.
A cultura que tanto tenho contestado!
Os iludidos que não se penam.

Tenho medo de ficar assim.
Com o pensamento longe de mim.
Tão arrogante e religioso.
Seguir dogmas que tangenciam meus sentimentos!
E acabar morto pelo ódio no discurso.

Tenho medo do que estabelecido está!
O certo e o errado são relativos.
E a maioria que pouco (ou muito) reflete de nada servirá!



quinta-feira, 16 de junho de 2016

O adeus de um apaixonado

Da origem e do fim, nada sei...
Do que viveu em mim e do que vivi em ti...
... tudo está guardado, no íntimo das emoções...
Sou fraco. Sempre fui. Choro sempre.
Inevitável.
E hoje, minhas mãos despetalam uma rosa.
A sua rosa, sua última rosa...
O vento bate em meu rosto e faz lembrar.
Momentos do passado. Nosso passado.
Que agora se foi!
E nada posso fazer...
Talvez esteja certo...
... só me resta a redenção!
Libertação. Fenecer!
Deixar minha alma revoar...

... para junto da tua recostar!



terça-feira, 17 de maio de 2016

Depois de um tempo

Depois de um tempo tudo muda...
As pessoas não são mais as mesmas.
Os lugares se travestem.
Os olhares se desviam.
Os corpos se distanciam.
E agora as lembranças me estapeiam dolorosamente!
As pessoas esquecem do que um dia disseram!
E o medo de perder se torna a ira de ir embora...
Tudo está tão sublime, tão delicado!
Depois de um tempo, tudo se estabiliza.
Para então entrar em colapso novamente.
A vida nunca foi tão feliz e tão difícil.
Hoje o cego caminha somente de bengala.
O surdo escuta com as mãos.
E o tolo aprende com os tombos na delicada e disforme passarela da vida!
Depois de um tempo tudo é esquecido!
As tristezas se amontoam no fundo de um mar de dores.
Depois de um tempo não adianta idealizar o retorno dos sentimentos!
É uma questão de princípios e também moral...
Tudo tem um preço.
Entretanto, a angústia de perder a presença de quem se ama é atemporal!





domingo, 10 de abril de 2016

Teatro de vida

Vivemos.
Postamos.
Parece que mais postamos que vivemos...
Pratos de comida pomposos.
Bebida na mão.
Sorriso forçado...
Retratos do evento alegórico que a vida se tornou.
Como já disse, mais parecemos que vivemos...
Representamos todo dia no palco da atenção alheia.
Vivemos para os outros através de postagens que não representam quem somos.
E quando tudo acabar?
Quando estivermos no último suspiro?
Ninguém vai lembrar quem somos e o que fizemos...
... pois nada fizemos, só postamos molduras do pretérito imperfeito na parede das aparências!



sexta-feira, 1 de abril de 2016

Ao longe te vejo

Ao longe te vejo...
Tão distante.
Tão indiferente.
Por que tem de ser assim?
Eu cá, você lá!
Certas coisas na vida ficam implícitas mesmo.
Somente em relances...
Até quando? Não sei...
Dizem que a distância é relativa.
Talvez a proximidade de nossos olhares...
... seja o máximo que consigamos.
Assim está, assim é...
Assim continuará...
Ao longe te vejo.

De perto te desejo!



quinta-feira, 10 de março de 2016

Os maiorais

Rótulos e mais rótulos.
Vivemos numa sociedade elitizada.
Uns são condicionados.
Condicionados a completos idiotas.
O padrão estético é preceito.
Tem gente que vive de aparências.
Tem gente que vive do status.
Vão contra seus ideais em troca de socialização.
Propagam a segregação étnica e cultural.
Coitados!
E quando a beleza acabar?
E quando a barriga murchar?
E os músculos caírem?
E o discurso mudar?
O que vai sobrar?
Pessoas sem futuro.
Pobres de espírito.
Que hoje se subordinam.
São capachos dos que...
... um dia caçoaram!
Enfim, beleza não põe mesa...
... e o importante, não se faz necessário aos olhos!


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Poeminha com amor

Um poeminha com amor!

Enaltece meu dia.

Com você minha linda flor...
... meu sorriso tem mais alegria!

As cores são mais vivas...

Minhas emoções mais festivas!


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Nirvana

Tudo está tão confuso.
Preciso me encaixar e achar meu lugar.
Um lugar que gere felicidade.
Livre da ignorância.
Puro por definição.
Onde não preciso questionar sobre minha existência.
Sobre minha condição!
Onde o corpo é um detalhe posicional.
Onde os sentidos são tão infinitos que se tornam desprezíveis.
Preciso de um lugar onde o “eu” esteja em consonância com o “ser”.
Onde sentir seja sinônimo de transcender!
Enfim, preciso coexistir em desatino.

Talvez aí se esconda a suprema felicidade!



sábado, 30 de janeiro de 2016

O brilho dos olhos

O brilho dos olhos, dos teus olhos...
... ninguém me tira!
Nunca apagarão da parede da minha memória!
O brilho dos meus olhos...
... é fruto do brilho dos teus.
Do amor confiado.
Do tempo esperado.
Das lágrimas choradas.
Dos corações despedaçados.
De uma parafernália de sentimentos.
Brilhei em você, refletido em mim.
Dois brilhos, dois olhos, uma luz, a eternidade!
Como é bom fazer e ser feliz com alguém!
É tão divino.
Tão único.

Tão inexplicável...



quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Ainda faço planos

Ainda faço planos...
Para o que um dia pensei.
Um dia imaginei.
Ainda aguardo o futuro que não virá.
Os planos deixados de lado no jazigo das paixões se esvaem.
Por vezes, numa recaída sutil, os revivo.
Com saudade dos planos que não aconteceram...
... embriago-me na pseudonostalgia!
O maior dos meus planos não era superficial.
Ainda faço planos para...
O amor que não existiu.
A atenção que nunca se deu!
Os filhos que não tivemos.
O envelhecer juntos que não acontecerá!

Como é melancólico!

Saber que duas almas recíprocas nunca se juntaram...




sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O bom julgador

Julgamos quase tudo.
Pensamos que temos propriedade para julgar...
... quando o que fazemos é comparar!
Desmerecemos o outro.
Somos tendenciosos.
Incapazes de não julgar.
Categorizar.
Separar os “bons” dos “ruins”.
Julgamos até o julgamento do outro.
Porém, debaixo de nossas perucas brancas e pomposas...
... se esconde o reflexo do medo do julgamento.
Julgo, mas detesto que façam isso comigo!

Enfim, como já diria o provérbio: o bom julgador julga os outros por si próprio!


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Rasgando pedaços do passado

Por medo, relutei!
Para me fortalecer, desatinei!
Hoje sentei e revirei as caixas do meu passado.
Amontoadas na estante do esquecimento.
Empoeiradas com o olhar pesado.
Relembrando páginas de outrora neste momento
Percebo a história da minha vida.
Cada página rasgada dói na alma.
É um pouco de mim que se vai.
São as asas de um sonho que agora cai.
Os trejeitos de uma época bem resolvida.
Serão lixo? Ou era um antigo e maquilado carma?
Ao revirar as folhas guardadas dos meus 13 anos...
... tive uma agradável surpresa!
Uma carta que deixei para mim...
... e que com o tempo esquecera.
Parecia que estava conversando com aquele menino sereno.
Aquele menino que hoje invejo...
Em pranto, resolvi queimar esse passado...
... que tanto me fez feliz e que ainda me atormenta!
Mas a nostalgia apareceu e com um tapa de luva me acertou.
Então guardei aquelas folhas iminentes ao fim.
Sentei no meu orgulho.
Mergulhei nas facetas de outro eu.
Escrevi uma carta!
Para quem sabe, daqui dez anos, ainda me lembre de que fugir do passado...

... é matar uma parte de mim mesmo!