terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Nirvana

Tudo está tão confuso.
Preciso me encaixar e achar meu lugar.
Um lugar que gere felicidade.
Livre da ignorância.
Puro por definição.
Onde não preciso questionar sobre minha existência.
Sobre minha condição!
Onde o corpo é um detalhe posicional.
Onde os sentidos são tão infinitos que se tornam desprezíveis.
Preciso de um lugar onde o “eu” esteja em consonância com o “ser”.
Onde sentir seja sinônimo de transcender!
Enfim, preciso coexistir em desatino.

Talvez aí se esconda a suprema felicidade!



sábado, 30 de janeiro de 2016

O brilho dos olhos

O brilho dos olhos, dos teus olhos...
... ninguém me tira!
Nunca apagarão da parede da minha memória!
O brilho dos meus olhos...
... é fruto do brilho dos teus.
Do amor confiado.
Do tempo esperado.
Das lágrimas choradas.
Dos corações despedaçados.
De uma parafernália de sentimentos.
Brilhei em você, refletido em mim.
Dois brilhos, dois olhos, uma luz, a eternidade!
Como é bom fazer e ser feliz com alguém!
É tão divino.
Tão único.

Tão inexplicável...



quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Ainda faço planos

Ainda faço planos...
Para o que um dia pensei.
Um dia imaginei.
Ainda aguardo o futuro que não virá.
Os planos deixados de lado no jazigo das paixões se esvaem.
Por vezes, numa recaída sutil, os revivo.
Com saudade dos planos que não aconteceram...
... embriago-me na pseudonostalgia!
O maior dos meus planos não era superficial.
Ainda faço planos para...
O amor que não existiu.
A atenção que nunca se deu!
Os filhos que não tivemos.
O envelhecer juntos que não acontecerá!

Como é melancólico!

Saber que duas almas recíprocas nunca se juntaram...




sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O bom julgador

Julgamos quase tudo.
Pensamos que temos propriedade para julgar...
... quando o que fazemos é comparar!
Desmerecemos o outro.
Somos tendenciosos.
Incapazes de não julgar.
Categorizar.
Separar os “bons” dos “ruins”.
Julgamos até o julgamento do outro.
Porém, debaixo de nossas perucas brancas e pomposas...
... se esconde o reflexo do medo do julgamento.
Julgo, mas detesto que façam isso comigo!

Enfim, como já diria o provérbio: o bom julgador julga os outros por si próprio!


segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Rasgando pedaços do passado

Por medo, relutei!
Para me fortalecer, desatinei!
Hoje sentei e revirei as caixas do meu passado.
Amontoadas na estante do esquecimento.
Empoeiradas com o olhar pesado.
Relembrando páginas de outrora neste momento
Percebo a história da minha vida.
Cada página rasgada dói na alma.
É um pouco de mim que se vai.
São as asas de um sonho que agora cai.
Os trejeitos de uma época bem resolvida.
Serão lixo? Ou era um antigo e maquilado carma?
Ao revirar as folhas guardadas dos meus 13 anos...
... tive uma agradável surpresa!
Uma carta que deixei para mim...
... e que com o tempo esquecera.
Parecia que estava conversando com aquele menino sereno.
Aquele menino que hoje invejo...
Em pranto, resolvi queimar esse passado...
... que tanto me fez feliz e que ainda me atormenta!
Mas a nostalgia apareceu e com um tapa de luva me acertou.
Então guardei aquelas folhas iminentes ao fim.
Sentei no meu orgulho.
Mergulhei nas facetas de outro eu.
Escrevi uma carta!
Para quem sabe, daqui dez anos, ainda me lembre de que fugir do passado...

... é matar uma parte de mim mesmo!


quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Sobre estar maduro

Quando somos jovens, fazemos de tudo para parecermos maduros.
Entretanto, no menor deslize expomos nossa criança interior.
Quando somos maduros, o que mais queremos é voltar a juventude.
Parece tardio, uma vez que as marcas de uma vida pesada já nos condicionaram a viver sem sorrisos.
 E as rugas salientes se confundem com um ar de rabugice.
Sorrir é um ato de dar e receber.
E à medida que ficamos mais velhos, reclamar é mais fácil que sorrir.
Nós não somos assim, somos condicionados a estar assim.
Bem, ser maduro é muito mais que isso...
... tão complicado quanto não ser!
Talvez devêssemos ser maduros sem perder o sorriso...

... e quando ninguém estiver olhando: ser uma criança!



terça-feira, 14 de abril de 2015

A priori

A priori nada é tudo.
E tudo é quase nada.
A priori o início não é necessariamente a origem!
E o final está longe de uma redenção...
A priori o ser humano é possessivo!
E a possessão, egoísta!
A priori, eu sou um chato.
A priori, muitos não querem me entender...
Mas sabemos, a priori, que o "a priori" é condicional!
Capaz de caracterizar.
Dar sentido a incapacidade de obter conceitos verídicos...

A priori, não sei o que virá a posteriori!





quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Óculos escuros

As pessoas estranham.
Quando uso óculos escuros à noite.
As pessoas riem.
Quando uso óculos escuros em meio à tempestade.
Mas ninguém percebe no meu íntimo.
O quão sofro.
O tanto que deveria chorar!
Encontro nas lentes escuras.
Um labirinto para meu marasmo.
Um bloqueio para minha tristeza.
Que não pode transbordar.
E atingir quem amo.
Os óculos escuros me protegem.
Escondo-me dos olhos julgadores.
Dos olhos sofredores.
Sinto-me preparado para olhar.
Fitar os vorazes olhos do acaso.
Contenho minha maldade.
Enalteço minhas fraquezas.
Perco o olho no olho.
Importante para a intensidade das relações.
Mas assim, me sinto um pouco menos estranho.
Nem tanto monstro.

Mais humano!




segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Reencontro

Ainda procuro por um amor que perdi...
... e nunca mais encontrei!
Alguma parte que se perdeu.
Foi embora!
Sem dar o “Adeus” que precisava.
Procuro por uma paixão do futuro...
... que ainda não conheço.
Que um dia me fará feliz!
Procuro encontrar um outro “eu”.
O qual perdi entre tantas incertezas.
E não sei se um dia o encontrarei...
Enquanto não resolvo o que não posso relembrar.
Vou vivendo meu mundo de hastes fracas.
Porém com estrutura estável!
Por enquanto, espero este reencontro.
Que pode ser um olhar.
Que pode desenrolar...
... o mais entrelaçado dos atos que não aconteceram.
Espero por um reencontro com o amor.
O “Amor” como entidade intensa...
... que me dá asas!
Que me faz sorrir!
Que dispensa ressurreições!

E me faz levitar quando fecho os olhos!




sábado, 28 de junho de 2014

Como-somos e cromossomos

Somos assim.
Tão complexos e tão simples.
Tão humanos e tão metálicos!
Sou infinito.
Sou zero...
Como-somos!
Temos fome.
Temos sono!
Instáveis emocionalmente.
Limitados!
Cromossomos!
Fome de humanidade...
Limitados na complexidade.
Zeros metálicos.
Infinitos nas emoções!
Simples nas instabilidades!
Tão ele, tão você, tão eu...

Como-somos e cromossomos!



sexta-feira, 27 de junho de 2014

Lambendo o mofo das gravatas

Burocracia!
Troca de favores!
Ficar rasgando seda!
Normas, leis, estatutos, ofícios, controle!
Não tenho estômago para isso.
Não quero agradar os outros, nem a mim mesmo.
Quero apenas ser digno.
Magnatas do poder rodeados de bajuladores não é minha praia.
Escravos técnicos do sistema!
Tudo pode ser tão simples, tão harmônico, tão democrático.
Desacredito seriamente neste jogo de manipulações que não chega a lugar algum.
Não lambo o mofo das gravatas destes juízes sem escrúpulos, destes políticos corruptos, destes doutores sem educação, destes jornalistas sem alma.
Sou um desalinhado e ninguém vai me tirar o direito de escolha.
Podem me cortar os braços, mas nunca vão cortar meus pensamentos.
E você?

Vai continuar com a língua neste mofo todo?




sábado, 14 de junho de 2014

Odeio-te com todo meu amor

Odeio-te!
Detesto-te!
No âmago da minha ira.
O meu amor é seu...
... e de mais ninguém!

Digo que odeio só para dizer que te amo!
Eu sei...
É um insano sentimento.
Que me traz tanto tormento.

Amo-te!
Adoro-te!
E essa felicidade ardente...
... só meu ódio pode disfarçar.

É um misto de emoções que me faz ter razão.
Faz fugir dos riscos.
Pois é assim que gosto:

Odiar-te com todo meu amor!




segunda-feira, 12 de maio de 2014

Eu era, eu sou, eu não sei!

Eu era...
Eu fui...
Durante várias eras me construí de muitas versões de mim...
... e me desconstruí em um ser atual.
Uma projeção do passado.
Uma análise do futuro.
Um meio termo inacabado!
É o que sou.
A eterna contradição de desprezar os sentimentos temporais.
Sou o que veio e não passou.
O amor que foi projetado e sequer vingou.
Sou o beijo não dado.
O olhar desviado!
Sou o que fui...
... e o que serei!?
Sou o paladino do pretérito imperfeito.
Sou a mira não acertada.
A tentativa certeira.
O avarento feliz.
O senhor que senta na beira de sua vida e sorri.
O jovem que olha para o último fio de vida e sucumbe.
Hoje me acho um idiota tentando prever um eu melhor.
Mas daí lembro que o idiota de hoje é o ser requintado tão sonhado em outrora...
Somos muito menos que um somatório de lembranças...
... e muito mais que um produtório de expectativas!
Em tese sou um, em prática sou vários!
Essa reflexão vai muito além de ser feliz ou não.
Ela entra no âmago do que somos quando o tempo varia...
... e do que somos de acordo com nossa visão atual fixada!
Eu era o que passou.
Eu sou o que lembrei e o que desejo.
E do que vem eu me orgulho em dizer: eu não sei!







Quando o amor acabar

Não sei o que é certo.
Não sei se escrevemos certo por linhas tortas.
Por que o amor nos estraçalha?
Por que fazemos planos?
O que sei é o que imagino.
E o que se faz é demasiadamente vazio.
Eloquentemente sucinto!
Às vezes me pego perdido nas conjecturas.
Nos amores esculpidos na parede da solidão.
Nas lembranças recauchutadas.
Cegas pela teoria do final feliz!
Gostaria de ser mais forte.
Em certos momentos, mais truculento.
Todos sofremos!
Alguns parecem mais resistentes.
Mas da sinceridade do eu-mesmo não podemos escapar!
Uns se acham maduros.
Agentes de um amor.
E eu aqui, lutando contra!
Ignorando um sentimento mal resolvido.
Triste por ser este ser incapaz de amar.
Desprovido da humanidade de ser feliz.
Um estranho para cativar a alma gêmea...
Se é que ela existe!
Mas assim seguirei...
... até o dia que eu aguentar!
Até o dia que essa não-presença me sufocar.
Matar meus anseios...
... e liberar os demônios que tenho escondidos!
Quando isso ocorrer, não imagino o que serei!
Nem quero pensar...
... na minha vida quando nenhum amor eu abraçar!




quinta-feira, 8 de maio de 2014

Khronos

Pai das estações.
Remédio dos esquecidos.
Senhor de nossas ações.
Regente dos paradigmas estabelecidos.

Poucos sabem como és.
Harmonia e caos.
Fazem-nos render a teus pés.
Beijar misericordiosamente tuas mãos.

Tempo é tudo que queremos e nos mata.
É tudo que temos e nos falta.

É tudo o que precisa um coração ferido.
É o que seca as lágrimas do adeus sofrido.

É tempo de tudo.
Tempo de nada.
Tempo para decifrar o mundo.
Cada um com sua sorte dada.

Ao certo nem sabemos o que é.
Só sabemos que ele permeia nosso ser.
 

Vai de cada fé...
É relativo, é mítico, é poder!

Muita filosofia, muita ciência e eu aqui perdendo tempo...
... para te dizer que tudo passa!

Até uva passa!